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Caderno pedagógico

Letramento em avaliação: Uma necessidade de todos os envolvidos nos processos de ensino, de aprendizagem e de avaliação

Helder Gomes Rodrigues

Professor da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal

Mestre em Linguística Aplicada e doutorando em Educação (UnB)

Integrante do Grupo de Pesquisa Avaliação e Organização do Trabalho Pedagógico

Nos últimos anos, o vocábulo letramento tem tido destaque e uso nas diferentes áreas do conhecimento. Como vivemos na era digital, em que cada vez mais estar conectado, compreender e dominar os recursos digitais torna-se uma necessidade, o letramento digital se destaca sendo bastante difundido. Com a expansão do uso da inteligência artificial, podemos destacar que esse letramento se apresenta de forma desafiadora, principalmente, quando tratamos de educação. Embora necessário, atual e intrigante, o letramento digital não é único no cenário educativo, há outros igualmente significativos como é a caso do letramento em avaliação.

O letramento em avaliação, embora mencionado pela primeira vez na década de 1990 por Stiggins (1991), no contexto da educação norte-americana, ainda se configura como um conceito relativamente recente e em processo de ampliação. À semelhança das conclusões alcançadas pelo autor à época acerca das práticas avaliativas nas escolas dos Estados Unidos, pode-se afirmar que, no contexto brasileiro, ainda há lacunas significativas no que se refere ao letramento em avaliação.

Nesse sentido, este texto tem por objetivo contribuir para a compreensão do conceito de letramento em avaliação, destacando o papel e a relevância dos diferentes atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem-avaliação. Entendemos que o tratamento adequado da avaliação, ancorado em discussões e reflexões consistentes, pode desencadear transformações nas práticas avaliativas escolares. Assim, “níveis” mais elevados de letramento em avaliação tendem a promover a ressignificação de papéis, ações e concepções no âmbito educacional.

Em primeiro lugar, exploramos o sentido da palavra letramento, bastante utilizada em diversas áreas do conhecimento na contemporaneidade. De acordo com Soares (2017), foi na década de 1980 que o termo letramento passou a ser empregado no campo da educação e das ciências linguísticas. Em sua obra, a autora evidencia o registro do vocábulo ao longo do tempo em dicionários da língua portuguesa, demonstrando a ampliação de seu significado para além da mera habilidade de ler e escrever, ao incorporar a dimensão das práticas sociais da escrita.

Soares (2017, p. 17) define letramento como “o resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e a escrever: o estado ou a condição que um grupo social ou um indivíduo adquire como consequência de ter-se apropriado da escrita”. Tal concepção mostra-se fundamental para a compreensão do letramento em avaliação. Nessa perspectiva, não se trata apenas das habilidades de leitura e escrita, mas de um conjunto de concepções, práticas, saberes e níveis de consciência acerca do ato de avaliar e de suas múltiplas dimensões.

Incorporamos a ideia da autora de resultado de uma ação e estado ou condição. Nesse sentido, podemos afirmar que o letramento em avaliação é resultado de um processo de formação para avaliação e é também um estado ou condição dos sujeitos após se apropriarem dos conhecimentos sobre avaliação e suas implicações nas práticas sociais. Importa destacar que a concepção de letramento em avaliação aqui adotada não se restringe a uma visão reducionista centrada em conhecimentos técnicos. Embora esse conhecimento constitua um elemento relevante, ele não esgota em si a complexidade do fenômeno avaliativo. Conforme argumenta Freitas (2009 et al), a avaliação envolve dimensões sociais e políticas que extrapolam os aspectos estritamente técnicos.

A avaliação está presente de forma constante na vida cotidiana, configurando-se, ainda, como um tema transversal que perpassa diferentes contextos. Todavia, o letramento em avaliação demanda formação específica e especializada, considerando os distintos níveis e as diversas finalidades. No contexto educacional — foco deste caderno pedagógico — torna-se imprescindível compreender a articulação entre três processos distintos, porém intrinsecamente relacionados, em um movimento dinâmico e indissociável. Dessa forma, ensino, aprendizagem e avaliação constituem uma tríade fundamental.

Nesse contexto, podemos afirmar que o letramento em avaliação envolve a compreensão dessa categoria em articulação com o processo de ensino e aprendizagem. Os sujeitos que participam desses processos são diversos, o que implica reconhecer a existência de nuances específicas do letramento em avaliação, próprias de cada um deles.

Stiggings classifica tais nuances, ou necessidades relacionadas ao uso da avaliação pelos diferentes sujeitos, como níveis de letramento em avaliação. De modo semelhante, Inbar-Lourie (2013) emprega a expressão “níveis de proficiência” para se referir ao letramento em avaliação. Independentemente da terminologia adotada, interessa-nos, neste estudo, concentrar nas características do letramento em avaliação dos diferentes atores envolvidos nos processos de ensino, aprendizagem e avaliação.

Iniciaremos pelos estudantes, a fim de superar a tradicional cultura de não os incluir ou deixá-los à margem quando se trata dos processos reflexivos e decisórios sobre seu próprio processo de aprendizagem e sobre a organização do trabalho escolar. 

Podemos tratar sobre avaliação com os estudantes?

         Grande é a poesia, a bondade e as danças….

                                                                              Mas o melhor do mundo são as crianças…

Fernando Pessoa

A resposta a essa questão é que não apenas podemos, mas devemos. No entanto, o tratamento conferido à avaliação junto aos estudantes precisa superar a mera transmissão de informações por parte do professor acerca de notas, instrumentos aplicados e métodos avaliativos, frequentemente apresentados de forma superficial e unilateral. No caso das crianças, persiste ainda o mito de que não possuem capacidade para compreender o processo avaliativo, o que se revela problemático, uma vez que nelas reside a possibilidade de construção de uma nova cultura de avaliação.

O estudo realizado por Fischer e Gesser (2016) enfatiza a avaliação sob a ótica das crianças. Nessa pesquisa, as autoras evidenciam que a compreensão limitada que as crianças apresentam acerca do processo avaliativo não decorre de incapacidade, mas, sobretudo, da ausência ou insuficiência de informações a elas disponibilizadas. De modo geral, as crianças tendem a associar a avaliação apenas a seus resultados e instrumentos, concebendo-a como um ato exclusivo do professor, a quem compete a atribuição de notas e a decisão sobre aprovação ou reprovação. Tal concepção, construída pelos estudantes e reforçada pela escola, pode ser prejudicial à aprendizagem e contraproducente para o desenvolvimento do letramento em avaliação desses sujeitos.

Se as crianças forem oportunamente orientadas a compreender o que é avaliação, como são avaliadas e de que maneira esse processo pode contribuir para seu desenvolvimento pessoal e cognitivo, é possível vislumbrar a formação de adultos e, por extensão, de uma sociedade letrada em avaliação, capaz de utilizá-la de forma formativa, e não como mecanismo de exclusão, negação ou subordinação. Nessa perspectiva, Villas Boas (2017) destaca que os estudantes, desde muito cedo, aprendem, a partir das práticas escolares, a assumir uma postura passiva, caracterizada pela aceitação de orientações prontas e pelo cumprimento de ordens sem questionamento.

Diante disso, questionamos: por onde iniciar o processo de letramento em avaliação desses atores-estudantes? Um primeiro passo consiste em reconhecer sua capacidade de compreender, refletir e participar ativamente das práticas avaliativas. Por meio de uma linguagem acessível, sem tecnicidade, os estudantes podem ser incentivados a refletir sobre os instrumentos de avaliação, bem como a participar de sua elaboração e das decisões a eles relacionadas, compreendendo que a avaliação está intrinsecamente articulada ao processo de aprendizagem. Nesse sentido, o feedback efetivo e respeitoso, fornecido pelo professor, constitui uma prática fundamental, ao evidenciar, de maneira concreta, a relação indissociável entre avaliação e aprendizagem.

A escola, em sua diversidade de práticas e atividades, pode proporcionar aos estudantes múltiplas oportunidades de envolvimento no processo avaliativo, assegurando-lhes voz e participação consciente. Entre essas possibilidades, destaca-se o Conselho de Classe, que pode se constituir como um espaço privilegiado de formação e, consequentemente, de promoção do letramento em avaliação. Quando conduzido de forma ética e reflexiva, esse momento favorece a compreensão, por parte dos estudantes, de que a avaliação é uma prática relevante e necessária ao processo de aprendizagem.

Além disso, possibilita o reconhecimento das implicações das avaliações formais e informais, bem como da dimensão subjetiva que as permeia. Permite, ainda, que os estudantes compreendam que a avaliação não é uma atribuição exclusiva do professor, mas um processo do qual podem e devem participar ativamente. Para tanto, é imprescindível garantir sua participação efetiva no Conselho de Classe.

Podemos somar a essa ação outras práticas ainda pouco exploradas ou, por vezes, compreendidas de forma equivocada, como a avaliação entre pares e a autoavaliação, que são procedimentos avaliativos ricos. Essas práticas contribuem para o desenvolvimento da reflexão crítica sobre a avaliação, promovem o respeito mútuo entre os estudantes e favorecem o automonitoramento da aprendizagem. Ao mesmo tempo, colaboram para a descentralização do papel do professor no processo avaliativo, ampliando a corresponsabilidade dos sujeitos envolvidos.

Nesse sentido fica evidente que o letramento em avaliação dos estudantes perpassa diferentes dimensões, tais como a exemplificação de práticas avaliativas, o uso de linguagem adequada, o incentivo à reflexão e a valorização do protagonismo estudantil. Nesse sentido, o letramento em avaliação possibilita que os estudantes compreendam, ainda que de forma gradual, a intencionalidade subjacente às práticas avaliativas, desenvolvendo uma postura crítica diante delas. Assim, esse processo configura-se como uma ação de caráter eminentemente emancipatório.

Docentes letrados: da formação inicial à formação continuada em serviço

                                                                           Eu sou maior do que era antes

                                                                          Estou melhor do que era ontem

                                                                 Eu sou filho do mistério e do silêncio

                                                         Somente o tempo vai me revelar quem sou

                                                                                                                                Milton Nascimento

O trecho da canção de Miltom Nascimento evoca ideias de movimento, processo, descoberta e aperfeiçoamento, elementos que podem ser transpostos para o contextto da formação docente, elementos que podem ser transpostos para o contexto da formação docente, uma vez que se mostram fundamentais para o trabalho docente. Nesse cenário, o professor configura-se como um agente central no desenvolvimento do letramento em avaliação, dada sua capacidade de formar não apenas os estudantes, mas também suas famílias. Contudo, para que esse processo de formação se concretize, é imprescindível que o próprio docente seja letrado em avaliação.

O processo de letramento em avaliação do professor tem início ainda em sua trajetória como estudante e se estende ao longo de sua formação profissional. É sabido que a formação inicial não contempla todos os conhecimentos e saberes inerentes à docência, nem seria possível. Nesse sentido, a formação continuada em serviço assume papel fundamental na consolidação e no aprofundamento desses saberes, sendo essa formação compreendida como um processo dinâmico, contínuo e permanente.

Em relação ao tratamento dado à avaliação na formação inicial dos docentes é preciso destacar que essa temática exige do professor responsável pelo componente curricular uma relação estreita com área da avaliação, considerando que se trata de um campo não isolado, como foi outrora. No entanto, é preciso destacar que se trata de uma área altamente especializada.

Assim, quem forma o professor precisa na prática exemplificar, porque essa postura pode provocar mudanças, abalar concepções e desmistificar crenças. Dessa forma, indagamos: Quem discute conceitos, teorias e autores que defendem uma avaliação formativa, por exemplo, pratica a avaliação para as aprendizagens e junto aos seus estudantes, futuros professores? Essa pergunta é importante porque muitas vezes os futuros professores chegam à universidade sem a compreensão do que é a avaliação formativa – filosofia e prática – sendo essa função da avaliação primordial para o trabalho docente e o sucesso das aprendizagens, como afirma Villas Boas (2017):  a “vocação da avaliação é ser formativa”.

Juntamente com a formação inicial, os professores constroem, ao longo de sua trajetória, diferentes saberes profissionais, de natureza evolutiva e progressiva, o que reforça a necessidade de uma formação contínua e continuada (Tardif, 2000). Nesse percurso, a formação em serviço assume centralidade no desenvolvimento do letramento em avaliação pelo docente, ao favorecer a reflexão sobre as práticas avaliativas, o diálogo com pares, estudantes e famílias, bem como a tomada de consciência acerca das escolhas avaliativas realizadas, ainda que estas se caracterizem por sua natureza dinâmica e passível de transformação.Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

A consciência avaliativa do profissional em serviço é o que define seu letramento, ou seja, o professor precisa atingir um nível de letramento mais complexo, capaz de compreender com clareza não só instrumentos e procedimentos avaliativos, mas os usos desses instrumentos e suas intencionalidades

O letramento em avaliação pelo docente implica, portanto, uma compreensão aprofundada acerca do que significa avaliar, do que deve ser avaliado e de como conduzir esse processo. Considerando que a avaliação envolve, necessariamente, a tomada de decisões, torna-se imprescindível que estas sejam realizadas de maneira consciente, crítica e reflexiva.

Os gestores, os níveis da avaliação e o letramento em avaliação

O letramento em avaliação do gestor escolar constitui um elemento fundamental para que esse ator possa articular os diferentes níveis ou vertentes da avaliação (aprendizagem, larga escala e institucional). Esse letramento é essencial para a interpretação qualificada dos dados e resultados de exames externos, considerando a realidade da escola, em sua singularidade e em articulação com a avaliação para as aprendizagens, buscando qualificar o que se apresenta de forma quantitativa.

O gestor letrado em avaliação reúne as melhores condições para conduzir a avaliação institucional, compreendendo a relevância desse nível avaliativo. Isso se reflete na elaboração de instrumentos consistentes, seguidos de processos de discussão coletiva com a comunidade escolar e do encaminhamento de ações voltadas à melhoria do trabalho pedagógico desenvolvido pela instituição.

Outro aspecto de destaque refere-se à capacidade do gestor, uma vez letrado em avaliação, de promover reflexões junto ao corpo docente acerca do processo avaliativo realizado na escola, incluindo suas intencionalidades, os instrumentos utilizados, a análise de indicadores e as ações que podem ser implementadas em prol das aprendizagens. Nesse sentido, o letramento em avaliação contribui para o desenvolvimento de saberes que envolvem dimensões humanas e sociais que compõem o processo avaliativo.  

O gestor escolar ocupa, ainda, posição estratégica na implementação das políticas públicas de avaliação, atuando como articulador entre as demandas externas e a realidade interna da escola. Para além do cumprimento de normas e diretrizes, cabe-lhe adotar uma postura crítica e fomentar a participação dos professores e de toda a comunidade escolar no processo avaliativo. Isso pode ocorrer por meio da realização de reuniões, encontros formativos, oficinas, laboratórios práticos, trocas de experiências e rodas de conversa que tenham como foco a avaliação e suas múltiplas interfaces.

Reconhecemos que o gestor escolar acumula diversas atribuições, frequentemente estando sobrecarregado de demandas. No entanto, o letramento em avaliação não deve ser compreendido como uma tarefa adicional, mas como parte constitutiva de sua formação e prática profissional. Nessa perspectiva, os programas de formação destinados a gestores escolares precisam contemplar, necessariamente, a temática específica e aprofundada da avaliação, orientada por uma perspectiva crítica e pela indissociabilidade entre teoria e prática.

A condução qualificada da avaliação no contexto escolar cabe ao gestor. Ação essa que se afasta do controle e se aproxima dos professores, estudantes e da comunidade escolar em geral. Entendemos que as construções mais consistentes e profícuas no âmbito da escola se dão por meio do trabalho coletivo e participativo. A esse respeito, Oliveira (2019) destaca que “quando os processos reflexivos democráticos são assegurados no cotidiano escolar, relações interpessoais saudáveis são constituídas […]”.

 Os pais/ responsáveis: o letramento em avaliação e a ressignificação das memórias escolares.   

            Desde o final da década de 1980, a educação passou a ser reconhecida como um direito em nosso país, após lutas e disputas em prol da sua universalização. Nesse contexto, podemos afirmar que grande parte dos pais e responsáveis pelos estudantes na atualidade teve acesso à educação formal, trazendo consigo marcas, experiências e trajetórias que influenciam suas concepções sobretudo de avaliação.

Considerando que a avaliação é uma prática recorrente no contexto escolar, destacamos que esses atores carregam memórias de como foram avaliados, o que contribui para a construção de determinadas concepções acerca do que significa avaliar. Nesse sentido, cabe problematizar: as aprendizagens desses indivíduos foram avaliadas ou eles apenas foram submetidos a processos de testagem e exame? Vivenciaram práticas avaliativas diversificadas e formativas? Os momentos avaliativos foram encorajadores ou, ao contrário, inibidores?

As possíveis respostas a essas questões permitem identificar concepções de avaliação historicamente enraizadas nas práticas escolares, as quais podem servir como ponto de partida para a problematização e desconstrução de visões reducionistas. Com frequência, a avaliação é equivocadamente compreendida como sinônimo de medida, ou restrita à aplicação de instrumentos como provas e testes. Em outros momentos ela assume o significado de aferição de resultados voltados exclusivamente para aprovação ou reprovação. Ademais, a avaliação pode assumir um caráter punitivo, excludente e desencorajador

Diante desse cenário, torna-se fundamental que tais aspectos sejam objeto de reflexão e diálogo com os pais e responsáveis, com vistas à sua sensibilização quanto à natureza e às finalidades da avaliação. Para tanto, é importante promover espaços de escuta e compartilhamento de experiências, nos quais esses sujeitos possam refletir sobre suas vivências e ressignificar suas concepções. A partir desse movimento, é possível desenvolver ações de letramento em avaliação junto aos pais/ responsáveis.

Nesse processo, é preciso demonstrar que muitas práticas avaliativas vividas por eles podem ser diferentes, com verdadeira contribuição para a aprendizagem, que é o que nos interessa. Tal explicitação pode ocorrer por meio da apresentação de exemplos concretos, que permitam compreender que notas, medidas, testes e provas podem integrar o processo avaliativo, mas não usurpar seu significado e amplitude  

Por fim, o letramento em avaliação de pais/responsáveis envolve tanto a compreensão quanto a sua participação no acompanhamento do processo avaliativo, reconhecendo seu caráter processual e formativo. Nessa perspectiva, a participação ativa da família é fundamental. Conforme destaca Oliveira (2019), “a compreensão das práticas de ensino e avaliativas pela família fortalece as relações institucionais e contribui para o compartilhamento de responsabilidades sobre a ação educativa.”

Para reflexão:

O letramento em avaliação ainda se constitui um conceito em expansão no campo acadêmico e no âmbito das escolas de educação básica, o que aponta a necessidade de ampliação de estudos sobre o tema. Como contribuição, destacamos alguns pontos para orientar reflexões, formação de docentes e debates sobre a avaliação no contexto escolar para que possam trazer benefícios ao letramento em avaliação dos diferentes participantes do processo de ensino-aprendizagem-avaliação.

  1. O tema letramento em avaliação é amplamente conhecido e objeto de estudos e reflexões por professores, gestores e coordenadores pedagógicos?
  2. Você tem participado de estudos e discussões sobre avaliação para as aprendizagens?  Em quais situações? Com quais objetivos?
  3. Atividades de formação continuada em avaliação para as aprendizagens, das quais você tem participado, têm incluído leitura de livros e/ou textos sobre o tema? São sugeridas leituras complementares?
  4. Quais movimentos podem ser praticados pelas secretarias de educação e pelas escolas com vistas ao letramento em avaliação por professores, estudantes e pais?  
  5. A formação inicial de professores tem se dedicado à análise e aos estudos aprofundados sobre a avaliação para as aprendizagens? Quais temas ainda não merecem a devida atenção?  
  6. A formação continuada dos professores tem oferecido oportunidade para o alargamento do letramento em avaliação? Quais necessidades se fazem presentes? Quais temas costumam ganhar destaque?
  7. Os pais são convidados para participar do debate sobre avaliação para as aprendizagens com vistas ao seu letramento em avaliação?
  8. Podemos estabelecer relação entre uma comunidade letrada em avaliação, mais chances de incorporação de aprendizagens pelos estudantes e diminuição do intitulado “fracasso escolar”?
  9. Quais contribuições este texto traz para o letramento em avaliação? Quais outras podem ser acrescidas?

Referências:

FISCHER, Gabriela Maia; GESSER, Verônica. Repetência: a avaliação sob a ótica das crianças. -1. Ed. – Curitiba: Appris,2016

FREITAS, Luíz Carlos de; SORDI, Mara Regina Lemes de; MALAVASI, Maria Márcia Sigrist; FREITAS, Helena Costa Lopes de. Avaliação Educacional: Caminhando pela contramão. Petrópolis-RJ: Vozes, 2009.

INBAR-LOURIE, O. Guest editorial to the special issue on language assessment literacy. Language Testing, 2013, pp. 301 – 307.

OLIVEIRA, Rose Meire da Silva. Pais/ responsáveis: copartícipes do processo avaliativo. In VILLAS BOAS, Benigna (org.). Conversas sobre avaliação. Campinas, SP: Papirus, 2019.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. – 3.ed.; Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

STIGGINS, R. Assessment Literacy. Phi Delta Kaphan, 1991, v. 72, pp. 534-539.

TARDIF, Maurice. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universitários: elementos para uma epistemologia da prática profissional dos professores e suas consequências em relação à formação para o magistério. Rev. Bras. Educ. [online]. 2000, n.13, pp.05-24. Acesso em janeiro de 2026.

Villas Boas, Benigna. O dia a dia do trabalho pedagógico: contribuições para a formação do professor e dos estudantes. In: VILLAS BOAS, Benigna (org.). Avaliação: interações com o trabalho pedagógico. Campinas, SP: Papirus, 2017.

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